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Atividades práticas para promover autorregulação


A autorregulação é a capacidade de ajustar emoções, comportamento e nível de energia para lidar com diferentes situações do dia a dia. 

Para muitas crianças autistas, esse processo pode ser mais difícil porque o corpo e o cérebro respondem de forma diferente aos estímulos. 

Por isso, atividades simples, bem planejadas e incorporadas à rotina podem ajudar a criança a lidar melhor com frustrações, mudanças e demandas sensoriais.

O cuidador tem um papel importante nesse apoio, pois acompanha a criança em diversos contextos e consegue identificar quais práticas funcionam melhor. 

O objetivo não é “controlar” sentimentos, mas oferecer ferramentas para que a criança consiga se reorganizar quando necessário.

Por que atividades de autorregulação são importantes

Essas atividades ajudam a:

  • reduzir ansiedade e tensão;
  • diminuir crises e comportamentos de fuga;
  • melhorar atenção e participação;
  • fortalecer habilidades sociais;
  • aumentar a sensação de segurança.

Elas funcionam melhor quando usadas de forma constante e não apenas durante momentos difíceis.

Atividades de movimento (regulação corporal)

Crianças que precisam liberar energia ou organizar o corpo se beneficiam de atividades motoras. Essas práticas podem ser feitas com segurança dentro de casa ou em uma área externa.

Sugestões de atividades:

  • pular em um mini trampolim, almofadas ou no chão com marcações;
  • empurrar ou puxar objetos leves, como uma caixa ou cesto;
  • brincar com bola grande, sentando e fazendo movimentos para frente e para trás;
  • caminhar sobre linhas no chão, ajudando na coordenação;
  • circuitos simples, como passar por baixo da mesa, pular obstáculos pequenos ou rolar no tapete.

Essas atividades ajudam a criança a entender melhor o próprio corpo e a estabilizar o nível de energia.

Atividades de pressão profunda (regulação tátil e proprioceptiva)

A pressão profunda pode ajudar a acalmar e organizar o sistema sensorial. É importante sempre respeitar os limites da criança e observar se ela se sente confortável.

Algumas possibilidades:

  • enrolar a criança em uma coberta leve, como se fosse um “sanduíche”;
  • oferecer coletes ou mantas com peso adequado (quando recomendados por profissionais);
  • fazer compressões suaves nos ombros, braços e pernas, sempre com consentimento;
  • brincar de “empacotar” almofadas, colocando-as ao redor do corpo para gerar pressão suave.

Essas práticas costumam gerar sensação de segurança, principalmente em momentos de ansiedade.

Atividades calmantes (regulação emocional e sensorial)

Para crianças que se sobrecarregam facilmente, atividades mais tranquilas ajudam a diminuir o nível de excitação.

Exemplos:

  • respiração guiada, usando bolhas de sabão ou um objeto para a criança soprar;
  • garrafas sensoriais, com água colorida ou glitter, para observar o movimento;
  • luz baixa e música suave por alguns minutos;
  • massagem nas mãos com movimentos circulares;
  • brinquedos repetitivos, como rolos de massagem ou fidget toys.

Essas atividades promovem calma e ajudam a recuperar o foco.

Atividades de organização cognitiva

Algumas crianças se regulam melhor quando têm clareza sobre o que estão fazendo.

Atividades simples podem ajudar:

  • ordenar objetos por cor, tamanho ou forma;
  • encaixar peças ou montar quebra-cabeças;
  • seguir sequências visuais para realizar pequenas tarefas;
  • jogos de turnos, como “minha vez, sua vez”.

Essas ações estimulam concentração e previsibilidade, reduzindo frustrações.

Criação de uma rotina de autorregulação

A autorregulação funciona melhor quando integrada à rotina diária. O cuidador pode:

  • observar quais atividades funcionam melhor em cada momento;
  • alternar atividades de movimento e atividades calmantes;
  • oferecer pausas ao longo do dia;
  • usar cartões visuais para a criança escolher entre duas opções;
  • adaptar o tempo da atividade conforme a resposta da criança.

O ideal é criar um repertório de estratégias variadas, permitindo que a criança explore e descubra as que trazem mais conforto.

A autorregulação como habilidade em desenvolvimento

A autorregulação não surge de um dia para o outro. Ela é construída com prática, apoio e compreensão. Cada criança responde de forma única às atividades, e o cuidado consiste em observar, ajustar e respeitar o ritmo individual. 

Quando a criança tem acesso às estratégias adequadas, consegue participar melhor das atividades, interagir com mais segurança e tornar o dia a dia mais previsível e equilibrado.

Este artigo pertence ao Curso Cuidador de Criança Autista

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