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Critérios diagnósticos do TEA: DSM e CID explicados
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é feito com base em critérios estabelecidos em dois sistemas amplamente utilizados na medicina e na saúde mental: o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e o CID (Classificação Internacional de Doenças).
Ambos são ferramentas essenciais para profissionais de saúde e são utilizados para garantir que o diagnóstico seja preciso e consistente.
O que são o DSM e o CID?
DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais):
O DSM é publicado pela Associação Americana de Psiquiatria e é amplamente utilizado nos Estados Unidos e em muitos outros países ao redor do mundo.
Ele fornece descrições e critérios para diagnóstico de transtornos mentais e comportamentais. A versão mais recente do DSM é o DSM-5, lançado em 2013, e foi a base para os critérios diagnósticos do TEA.
CID (Classificação Internacional de Doenças):
O CID é uma classificação mantida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e é utilizado globalmente. Sua principal função é categorizar doenças e condições de saúde de forma abrangente, para ajudar na gestão de doenças e facilitar o monitoramento de saúde pública. O CID-10, vigente até 2022, foi substituído pelo CID-11, que traz atualizações importantes sobre o TEA.
Critérios diagnósticos do TEA no DSM-5
No DSM-5, o Transtorno do Espectro Autista é definido como um transtorno do desenvolvimento caracterizado por dificuldades na comunicação social, na interação social e por padrões de comportamento repetitivos e restritos. Os critérios diagnósticos do DSM-5 são os seguintes:
Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos:
Isso inclui dificuldades em utilizar e entender a comunicação verbal e não verbal, como gestos, expressões faciais, linguagem corporal e toque. Também há dificuldades para estabelecer e manter relações sociais adequadas à idade, além de uma falta de interesse ou dificuldade de responder a interações sociais.
Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades:
As pessoas com TEA podem demonstrar um comportamento repetitivo, como movimentos estereotipados (balançar as mãos, bater os pés), insistência em rotinas fixas, ou forte apego a objetos ou interesses específicos. Além disso, podem ter um foco intenso e restrito em um único tema ou atividade.
Sintomas presentes desde o início do período de desenvolvimento:
Para o diagnóstico, os sintomas precisam estar presentes antes dos 3 anos, embora possam não ser totalmente reconhecidos até mais tarde, quando as demandas sociais aumentam.
Sintomas causam prejuízo clinicamente significativo em áreas importantes da vida:
O transtorno precisa causar dificuldades claras no funcionamento diário da pessoa, seja em casa, na escola, no trabalho ou em outras atividades sociais.
Esses sintomas não são explicados por deficiência intelectual ou atraso global no desenvolvimento:
Embora muitas pessoas com TEA também apresentem deficiências intelectuais, o TEA pode ser diagnosticado independentemente do nível de inteligência. O diagnóstico só é feito quando os sintomas são consistentes com o autismo e não podem ser explicados por outras condições.
Critérios diagnósticos do TEA no CID-11
O CID-11, versão mais recente da Classificação Internacional de Doenças, adota uma abordagem semelhante ao DSM-5, mas com algumas diferenças.
No CID-11, o TEA é classificado sob o código 6A02 e inclui características muito similares àquelas descritas no DSM-5.
As principais características do TEA, conforme o CID-11, são:
Déficits nas interações sociais e comunicação:
Semelhante ao DSM-5, o CID-11 descreve dificuldades na comunicação, tanto verbal quanto não verbal, além de dificuldades em interagir de forma adequada em diferentes contextos sociais.
Comportamentos restritos e repetitivos:
A presença de padrões de comportamento restritos, como movimentos repetitivos, rotinas rígidas e interesses específicos, também é descrita no CID-11.
Sintomas presentes desde a infância:
O CID-11, assim como o DSM-5, especifica que os sintomas do TEA devem estar presentes desde os primeiros anos de vida, mesmo que a gravidade dos sintomas varie com o tempo.
Sintomas que prejudicam a vida diária:
Os sintomas devem causar dificuldades nas atividades diárias da pessoa, seja na escola, no trabalho ou nas interações sociais.
Uma diferença importante do CID-11 é que ele utiliza a classificação do TEA como um espectro, reconhecendo que o transtorno pode se manifestar de diferentes maneiras, em diferentes níveis de gravidade. O diagnóstico, portanto, leva em consideração o grau de suporte necessário para a pessoa, classificando-o em níveis: leve, moderado ou grave.
Diferenças entre o DSM-5 e o CID-11
Embora o DSM-5 e o CID-11 compartilhem muitas semelhanças, existem algumas diferenças sutis. O DSM-5 adota uma classificação mais detalhada, com critérios específicos sobre os tipos de sintomas e comorbidades associadas ao TEA.
Já o CID-11 tem uma abordagem mais ampla e geral, adotando uma perspectiva que considera a gravidade dos sintomas e o nível de suporte necessário.
Ambos os sistemas são utilizados mundialmente, mas enquanto o DSM-5 é mais utilizado em países como os Estados Unidos, o CID-11 é a referência global adotada pela OMS e por muitos países ao redor do mundo.