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Processamento sensorial no TEA: como o transtorno afeta os sentidos
O processamento sensorial refere-se à forma como o cérebro recebe e interpreta as informações provenientes dos nossos sentidos: visão, audição, olfato, paladar, tato, e até o equilíbrio e a percepção do corpo no espaço (propriocepção).
No caso do Transtorno do Espectro Autista (TEA), muitas pessoas apresentam diferenças no processamento sensorial, o que significa que elas podem perceber e reagir aos estímulos sensoriais de maneira diferente.
Hipersensibilidade e hipossensibilidade
Uma das características mais comuns do processamento sensorial no TEA é a hipersensibilidade e a hipossensibilidade.
A hipersensibilidade ocorre quando a pessoa com TEA é excessivamente sensível a certos estímulos, como luzes fortes, sons altos ou texturas de alimentos ou roupas.
Por exemplo, uma pessoa com TEA pode ficar incomodada com o som de uma sirene ou de uma televisão ligada, mesmo que para outras pessoas esses sons sejam normais e não causem desconforto.
Por outro lado, a hipossensibilidade acontece quando a pessoa não percebe um estímulo de maneira adequada, ou seja, ela não sente algo que seria evidente para outras pessoas.
Por exemplo, uma criança com TEA pode não perceber a dor de uma queda ou de um machucado pequeno, ou ainda, pode não reagir a um toque suave na pele.
A hipossensibilidade também pode se manifestar em uma necessidade constante de movimentos repetitivos, como bater as mãos ou girar objetos, para "sentir" algo no corpo.
Como o processamento sensorial afeta o comportamento
Essas diferenças no processamento sensorial podem afetar profundamente o comportamento da pessoa com TEA.
Por exemplo, uma criança com hipersensibilidade à luz pode se sentir sobrecarregada em ambientes muito iluminados, como supermercados ou escolas, e reagir com agitação, cobrindo os olhos ou até se afastando do local.
Já uma criança com hipossensibilidade ao toque pode buscar constantemente estímulos táteis intensos, como tocar em objetos de diferentes texturas ou bater em superfícies duras.
Esses comportamentos podem ser mal interpretados por outras pessoas, que podem não compreender que a pessoa com TEA está tentando lidar com a sobrecarga sensorial ou, no caso da hipossensibilidade, tentando aumentar sua percepção do ambiente.
O impacto na vida diária
As dificuldades no processamento sensorial podem impactar muitas áreas da vida diária. Em casa, na escola ou em outros ambientes, a pessoa com TEA pode reagir de forma exagerada a sons, cheiros ou luzes.
Isso pode dificultar a convivência em ambientes públicos ou em situações sociais, já que a pessoa pode se sentir desconfortável ou até ansiosa devido à sobrecarga sensorial.
No caso da hipossensibilidade, a pessoa pode se envolver em comportamentos repetitivos, como balancear o corpo ou morder objetos, para tentar regular a sensação em seu corpo. Em ambos os casos, o ambiente pode precisar ser ajustado para tornar mais confortável para a pessoa com TEA.
Estratégias para lidar com o processamento sensorial
Existem várias maneiras de ajudar uma pessoa com TEA a lidar com as diferenças no processamento sensorial. Algumas estratégias incluem:
- Ambientes controlados: Reduzir estímulos sensoriais intensos, como luzes fortes ou sons altos, pode ser uma forma de ajudar a pessoa com TEA a se sentir mais confortável. Isso pode incluir o uso de fones de ouvido com cancelamento de ruído, luzes mais suaves ou a criação de espaços tranquilos.
- Terapia ocupacional: A terapia ocupacional pode ser útil para ajudar as pessoas com TEA a desenvolver estratégias para lidar com a hipersensibilidade ou a hipossensibilidade. O terapeuta pode sugerir atividades que ajudem a pessoa a melhorar a integração sensorial, como brincadeiras com diferentes texturas ou movimentos corporais.
- Desensibilização gradual: Para a hipersensibilidade, pode ser útil a exposição gradual a estímulos sensoriais em um ambiente controlado. Isso ajuda a pessoa a se acostumar com os estímulos sem se sentir sobrecarregada.
- Proporcionar estímulos positivos: Para quem tem hipossensibilidade, atividades que envolvem diferentes texturas, sons ou movimentos podem ser uma forma eficaz de ajudar a pessoa a regular seu sistema sensorial.