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Acne: classificação, característica, tratamento

Nos atendimentos voltados para a estética facial uma das principais queixas dos pacientes é sobre a acne.

Esse tipo de incômodo é bastante recorrente e engana-se quem pensa que somente adolescentes passam por essa fase que incomoda muita gente.

A acne, em especial, na sua forma vulgar, é uma doença de cunho dermatológico que pode surgir na adolescência e persistir até a vida adulta.

A Propionibacterium acnes (P. acnes) é um dos principais microrganismos encontrados na pele, vivendo de forma comensal nos folículos pilosos nesta região.

Quando a microbiota cutânea se encontra desequilibrada a P. acnes pode gerar alterações na pele, como o aumento da produção sebácea e modificação de sua composição.

Ao se multiplicar em excesso, a P. acnes gera uma resposta inflamatória comum no rosto e em outras partes do corpo.

O processo inflamatório ocorre principalmente nas glândulas sebáceas e nos folículos pilossebáceos.

Consequentemente, são formadas lesões bastante conhecidas na pele, como os comedões, pústulas e pápulas.

Além disso, existem outros fatores que podem contribuir para o aparecimento da acne, como os fatores ambientais, hormônios, histórico familiar e estresse.

Uma pele acneica apresenta uma aparência inestética, causando diversos desconfortos para quem convive com esse processo inflamatório.

Tendo em vista sua frequência no período da adolescência, onde existe um boom hormonal e a formação do indivíduo, a presença da acne pode ocasionar diversos problemas psicológicos relacionados à autoestima do jovem.

A acne costuma surgir nas regiões onde existe maior produção de sebo no corpo, como no rosto, ombros, braços e costas.

Devido ao seu caráter inflamatório e cicatrizes, o indivíduo acometido por essa patologia pode se sentir angustiado e com vergonha de se expor aos seus grupos sociais, desenvolvendo assim uma autoestima baixa.

Mesmo que a acne não se caracterize como uma doença contagiosa e não seja uma patologia maligna, o seu tratamento pode ser um tanto quanto complexo e as cicatrizes são difíceis de serem tratadas.

Nessa realidade, quanto mais precoce o tratamento, maiores são as chances de ter sucesso, podendo amenizar os efeitos inestéticos da acne.

Dessa forma, é possível preservar a saúde da pele e a saúde mental do seu paciente.

O profissional da estética é um importante ator no tratamento da acne vulgar, tendo em vista que esse especialista indicará ao paciente protocolos de limpeza saudável, de forma a reduzir a incidência de comedões e pústulas.

Não somente, através das técnicas da estética e cosmética é possível reduzir a proliferação bacteriana e a inflamação que costuma a gerar cicatrizes difíceis de serem removidas.

Para o tratamento da acne existem diversos tratamentos que podem ser utilizados a depender do grau da acne do paciente.

Além disso, as condições da pele também são um fator importante para definir qual tipo de protocolo é mais adequado para o paciente.

Classificação da acne vulgar

A acne vulgar não tem uma classificação universal, contudo utiliza-se uma classificação de acordo com os tipos de lesões e suas extensões.

Dessa forma, podemos definir o grau de acordo com essas características, sendo essa observação importante para ter uma melhor orientação nas condutas terapêuticas.

Basicamente, a acne pode ser classificada em cinco graus de gravidade, na qual a primeira é uma fase mais amena, com a presença apenas de comedões.

A acne pode progredir até a fase do surgimento de pápulas, pústulas, nódulos, fístulas e até mesmo crostas hemorrágicas.

Vejamos a partir de agora as características de cada grau da acne:

Grau I: Acne comedônica
O estágio inicial da acne se inicia com a presença de lesões inflamatórias, comedões que podem ser caracterizados como abertos ou fechados.

Grau II: Acne papulopustulosa
No segundo estágio, existe a presença de comedões que são acompanhados por lesões pequenas e sólidas, caracterizadas como pápulas.

No grau II pode existir ou não eritema e pústulas, com a presença de seborréia. 

Grau III: Acne nódulo-abscedante ou nódulo-cística
O terceiro grau da acne apresenta como característica a presença de comedões, pápulas com ou sem eritema, pústulas, seborréia e nódulos.

Esses nódulos são caracterizados como lesões sólidas que apresentam caráter exuberante.

Grau IV: Acne conglobata
Mais presente em homens jovens, a acne conglobata é uma forma rara e grave da acne vulgar.

De caráter exuberante, o grau IV surge de maneira aguda, podendo ser associado ao aparecimento de lesões inflamatórias dolorosas.
Nessa forma, as lesões podem se tornar ulceradas, deixando cicatrizes significativas do rosto do paciente.

Grau V: Acne fulminante
A acne fulminante é a forma mais severa, apresentando sintomas sistêmicos no paciente que é acometido.

Clinicamente, o grau V se parece com o grau IV, entretanto, o paciente apresenta adicionalmente sintomas de fadiga, mal-estar, mialgias, artralgia e febre. 

Condutas estéticas para o tratamento da acne

Para o tratamento da acne existem diversas condutas estéticas que podem ser feitas, a depender da gravidade da acne.

Como você pode conhecer nos tópicos acima, cada estágio apresenta características distintas.

Por isso, os cuidados devem ser diferenciados também.

Lembrando que o esteticista pode realizar os tratamentos sem supervisão médica nos casos de acnes graus I e II.

A partir do grau III o profissional só poderá atender esses pacientes mais graves sob orientação e/ou supervisão médica. 

Além disso, por se tratar de uma patologia sistêmica, a acne grau V é de tratamento de exclusividade médica, tendo em vista que o paciente pode correr risco de vida.

Contudo, as cicatrizes podem ser tratadas pelo esteticista, a fim de minimizar o processo pós-inflamatório.

Vejamos agora alguns protocolos que podem ser utilizados por esteticistas para os cuidados do paciente com pele acneica.

Limpeza de pele

Sem dúvidas, a limpeza de pele é um dos primeiros passos para iniciar o tratamento da acne.

Diferente das tão famosas skin cares popularizadas na internet, a limpeza de pele realizada por esteticistas conta com cosméticos e recursos fotoeletroterápicos para a preparação da pele.

Nessa etapa, a face é profundamente limpa, com a remoção de sujidades superficiais e profundas, remoção da oleosidade local e remoção de conteúdos cutâneos que obstruem os folículos pilossebáceos.

Esse passo é importante para evitar o surgimento de mais pápulas e pústulas.

Lembrando que, mesmo sendo um procedimento relativamente simples, é necessário que a limpeza de pele cumpra com os requisitos das normas de biossegurança.

Para a limpeza de pele, existe uma sequência básica, que envolve os seguintes procedimentos:

Higienização

O primeiro passo da limpeza de pele é a higienização.

Essa etapa tem como objetivo remover as impurezas mais superficiais da pele, como as partículas de poluição que se fixam na pele, suor, maquiagem, oleosidade e quaisquer produtos cosméticos.

Caso a cliente esteja utilizando algum tipo de maquiagem, é recomendado que ocorra a higienização com um demaquilante para que em seguida seja aplicado o gel de limpeza.

Se a cliente já estiver sem a maquiagem, você pode pular a etapa de demaquilar e partir para a aplicação do gel ou sabonete de limpeza.

Lembrando que o mesmo deve ser específico para pele oleosa e com predisposição à acne, seguido de um gel ou sabonete líquido. 

Caso não use maquiagem é possível iniciar a higienização com aplicação de um gel ou sabonete líquido neutro ou específico para pele oleosa e acneica.

Esfoliação

Após a higienização, é chegada a etapa de esfoliar a pele. Essa ação tem como objetivo remover as células mortas da camada córnea. 

É preciso ter bastante cuidado no momento da esfoliação, tendo em vista que, a depender do grau da acne, é preciso maneirar na pressão contra a pele.

Para isso, a esfoliação deve ser realizada em movimentos circulares e retilíneos. 

Desincruste

Se a pele ainda se manter oleosa mesmo após as etapas de higienização e esfoliação, é recomendado uma terceira etapa, conhecida como desincruste, que é uma espécie de eletroterapia.

Esse procedimento possui uma ação eletroquímica quando é associada a um produto desincrustante.

Dessa forma, é possível remover os sebos incrustados na superfície epidérmica. 

A máquina utilizada nessa técnica conta com a corrente galvânica com o eletrodo ativo em forma de gancho que é submerso com o produto desincrustante. 

Emoliente

Com a pele devidamente limpa, a próxima etapa é a aplicação do emoliente.

Essa substância tem como função reduzir a resistência da pele, dilatar os poros e amolecer a superfície da pele.

Assim, a extração dos comedões e das pústulas torna- se mais fácil.

A aplicação deste produto deve ocorrer por cerca de 10 minutos ou de acordo com recomendação da empresa que fabrica o produto.

Além disso, ele deve ser removido de acordo com a evolução da extração.

Extração

O uso de emoliente é de suma importância para a etapa de extração, tendo em vista que o aquecimento da região aumenta a dilatação dos folículos e facilita a extração. 

Atualmente existem dois recursos que são amplamente utilizados: o vapor de ozônio e a máscara térmica. 

Para a extração, a habilidade e o treino do profissional é de suma importância para evitar os desconfortos no momento da extração.

É muito comum que nessa etapa o paciente possa sentir um pouco de dor, vermelhidão, sangramento e hipersensibilidade tecidual. 

Lembrando que o que deve ser extraído são os comedões e pústulas, jamais deve ser aplicado a extração em  pápulas, cistos, nódulos e abscessos. 

Com a correta extração os folículos pilossebáceos são desobstruídos, de modo a aumentar a permeabilidade dos princípios ativos pela via transanexial. 

Não somente, o processo de extração faz com que a pele seja melhor oxigenada, de forma a facilitar a transpiração e lubrificação superficial do tecido.

Desinfecção 

Após a extração é fundamental que ocorra a desinfecção da pele.

Essa etapa pode ser realizada com o uso de dermocosméticos com funções antissépticas e anti-inflamatórias.

A alta frequência também é um recurso que pode ser aplicado, devido ao seu efeito antimicrobiano sobre vírus, fungos e bactérias.

Além disso, a alta frequência tem o poder de acelerar o processo de cicatrização de feridas, tendo também efeito anti-inflamatório e analgésico.

Máscara facial 

Com a pele limpa e desinfectada, o paciente pode receber a sua máscara facial com ativos adstringentes, curativos, anti sépticos e anti-inflamatórios.

As máscaras faciais também podem ser de cunho calmante, para reduzir a hipersensibilidade que pode ocorrer durante a extração.

Tônico

 Para fazer a correção do pH da pele e normalizar os poros dilatados da pele, a próxima etapa da limpeza é a aplicação do tônico.

Esse procedimento pode ser feito durante a aplicação da mascaram utilizando um lenço umedecido no tônico.

Finalização

Com a pele devidamente tonificada, a finalização da limpeza é feita com a aplicação de filtro com fator de proteção solar UVA, UVB, IV e luz visível.

Lembrando que o filtro solar deve ser livre de óleo em sua composição, sendo específico para pele oleosa.

Como você viu até aqui, o processo de limpeza de pele é considerado como um tratamento inicial para a acne.

Um tratamento mais prolongado exige técnicas específicas que envolvem diversas sessões.

Na estética, existem recursos fotoeletroterapêuticos e tratamentos que tem como objetivo reduzir as cicatrizes pós inflamatórias das acnes. 

Atualmente, os recursos mais utilizados são microcorrente, iontoforese, LED e radiofrequência. 


Este artigo pertence ao Curso de Estética Facial Básico

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