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DEMÊNCIA
O termo 'demência' é utilizado para definir um conjunto de sintomas que comprometem o funcionamento cerebral, como dificuldades de memória, raciocínio, linguagem e comportamento. É uma síndrome crônica e progressiva, que se agrava com o tempo e ainda não tem cura, embora tratamentos possam ser adotados para controlar os sintomas.
A demência é mais frequentemente observada em idosos, mas também pode surgir em pessoas mais jovens. Além disso, a condição afeta não só o paciente, mas também a saúde mental de cuidadores e familiares, tornando necessário um sistema de apoio abrangente.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de demência, com projeções de que esse número atinja 6 milhões até 2050.
Tipos de demência
As principais formas de demência em idosos são a doença de Alzheimer e a demência vascular, que juntas representam aproximadamente 80% a 90% dos casos. No entanto, outras formas de demência também são frequentes nessa faixa etária, como a demência com Corpos de Lewy e a demência frontotemporal.
Veja a seguir as principais doenças que podem levar à demência, com suas possíveis causas e implicações:
1 - Doença de Alzheimer
A demência mais frequente entre a população é o Alzheimer, uma condição que leva à perda progressiva da capacidade cerebral de funcionar adequadamente. Esse quadro resulta em dificuldades de memória, cognição e alterações comportamentais. No início, os sinais são sutis e podem ser confundidos com o envelhecimento natural.
Com a progressão da doença, os sintomas se agravam e causam danos significativos ao cérebro. A velocidade com que isso ocorre pode variar entre os indivíduos, mas, em média, pessoas com Alzheimer vivem cerca de oito anos após os primeiros sinais aparecerem.
2 - Demência vascular
A demência vascular ocorre devido a problemas no fornecimento de sangue ao cérebro, frequentemente associados a múltiplos pequenos derrames ou a um grande acidente vascular cerebral (AVC). Esses episódios interrompem a circulação sanguínea em determinadas áreas do cérebro, causando danos que comprometem a memória, o raciocínio, a linguagem e outras funções cognitivas.
Diferente de outros tipos de demência, como o Alzheimer, a demência vascular está diretamente relacionada a eventos vasculares que afetam o fluxo sanguíneo no cérebro.
3 - Demência frontotemporal
A demência frontotemporal (DFT) é uma forma de demência que afeta principalmente as regiões frontais e temporais do cérebro. Trata-se de uma doença progressiva e degenerativa que impacta áreas responsáveis pelas funções cognitivas e comportamentais. A DFT ocorre devido à degeneração das células nervosas nessas regiões, associada a proteínas como a tau, o que provoca um declínio em funções como memória, linguagem, julgamento e capacidade de decisão.
Os sintomas também incluem mudanças de comportamento, como falta de autocontrole, diminuição da empatia e perda de interesse por interações sociais. Por isso, a DFT é, por vezes, chamada de “doença da gafe”, pois as manifestações podem ser vistas inicialmente como simples alterações comportamentais e não como sintomas de uma condição médica.
4 - Demência com corpos de Lewy
Caracterizada pela presença de aglomerados de proteínas no sistema nervoso, essa forma de demência pode ser confundida com o Mal de Parkinson, mas apresenta particularidades próprias. Seus sintomas incluem rigidez muscular, mudanças no sono e no humor, alucinações e tremores. Apesar de não ter cura, existem tratamentos que ajudam a retardar a progressão.
5 - Doença de Parkinson
A doença de Parkinson é uma condição degenerativa que avança lentamente, afetando áreas específicas do cérebro. Suas principais características incluem tremores quando os músculos estão em repouso, aumento da rigidez muscular, lentidão nos movimentos voluntários e dificuldade para manter o equilíbrio. Em muitos casos, pode haver comprometimento do pensamento ou desenvolvimento de demência.
6 - Doença de Huntington
Trata-se de uma doença genética rara que causa degeneração progressiva das células cerebrais. Além de provocar movimentos involuntários e alterações psiquiátricas, a doença de Huntington pode manifestar sintomas de demência, afetando a memória, o raciocínio e o controle emocional.
Sintomas da demência
A demência resulta em perda de memória, confusão, comportamentos anômalos e mudanças de personalidade, além de afetar a memória, fala e escrita. Embora não tenha cura, existem tratamentos que podem aliviar os sinais e sintomas. Entre os principais sintomas estão:
- Perda de memória: a pessoa lembra de eventos antigos, mas esquece acontecimentos recentes.
- Desorientação: dificuldade para se situar em relação ao tempo e espaço, podendo se perder em locais familiares.
- Alterações emocionais: dificuldade para expressar emoções de forma adequada, como sorrir sentindo dor ou se agitar ao demonstrar carinho.
- Problemas de fala: dificuldade em nomear objetos, substituindo palavras por descrições, como "aquele negócio que escreve" em vez de "caneta".
- Repetição de informações: repete as mesmas perguntas ou afirmações devido à incapacidade de registrar novas memórias.
- Mudanças de humor e comportamento: manifestações de choro, ansiedade, depressão, irritabilidade, agressividade, desinibição sexual e repetição de movimentos.
- Dificuldade de compreensão e realização de tarefas: dificuldade em entender conversas, realizar tarefas domésticas e manter a higiene pessoal.
- Interrupções na comunicação: ignorar pessoas, interromper conversas e falar sozinho.
- Comportamento inapropriado: ações que desrespeitam normas sociais, como sair de pijama ou andar sem roupa.
- Acusações de roubo: esconder ou perder objetos e culpar outros por "roubo".
- Alucinações: enxergar imagens, ouvir vozes e ruídos inexistentes.
- Dificuldade de escrita e leitura: problemas para escrever e compreender textos.
A maior parte dos sintomas da demência reflete falhas na comunicação. O cuidador precisa lembrar que essas dificuldades fazem parte da condição e, por isso, a paciência é fundamental. Outras formas de comunicação, como toque, olhar, carinho e tom de voz, são importantes.
Para conversar com o idoso, certifique-se de que ele esteja prestando atenção e mantenha o contato visual. Aprender a reconhecer os sentimentos e emoções do idoso pode ajudar bastante. O cuidador deve manter a calma e falar de maneira gentil e amigável.
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